CEROF-UFG realiza primeiras captações de córneas e avança no fortalecimento da política de transplantes em Goiás
Ação marca um passo histórico para a saúde pública do estado, com impacto direto na fila de transplantes e na vida de pacientes que aguardam por um novo começo
O Banco de Olhos do CEROF-UFG realizou, na tarde de ontem (04), as duas primeiras captações de córneas. No primeiro mês desde a retomada de suas atividades, duas famílias se sensibilizaram para a doação, marcando um avanço concreto na política de transplantes em Goiás. A ação foi viabilizada por meio da parceria entre a Secretaria de Estado da Saúde de Goiás (SES-GO), a Central Estadual de Transplantes (CET), a Organização de Procura de Órgãos (OPO) do Hospital Estadual de Anápolis Dr. Henrique Santillo (HEANA) e a equipe do Banco de Olhos do CEROF-UFG, evidenciando a força do trabalho integrado entre as instituições públicas.

O marco é resultado de um processo construído ao longo de meses, envolvendo diálogos técnicos, reuniões e articulações interinstitucionais, que culminaram na consolidação do fluxo operacional para a captação de tecidos oculares no estado. A iniciativa representa um passo importante para a redução da fila de transplantes de córneas em Goiás, com impacto direto na ampliação do acesso ao cuidado oftalmológico e no fortalecimento da rede pública de saúde.
Criado em 2006, o Banco de Tecidos Oculares Humanos, também conhecido por Banco de Olhos, do Centro de Referência em Oftalmologia da Universidade Federal de Goiás (CEROF-UFG), um serviço vinculado à UFG e integrante exclusivo do SUS, responsável pela captação, avaliação, preservação e distribuição de córneas para transplantes em Goiás. Devido à pandemia, em 2019 as atividades foram suspensas sendo retomadas em dezembro de 2025 após um período de reorganização institucional, estruturação e fortalecimento das ações junto à rede estadual de saúde.
Com essa retomada, proporcionada pelo apoio e direcionamento da equipe experiente da CET de Goiás e dos esforços de todos os gestores da SES-GO, as equipes do Banco de Olhos CEROF-UFG atuarão, 24 horas, nos hospitais estaduais, no Hospital das Clínicas-UFG-EBSERH e no Araújo Jorge. Uma dessas equipes permanecerá no Hospital Estadual de Anápolis Dr. Henrique Santillo (HEANA), na cidade de Anápolis e será responsável pela captação de córneas no município.
A atuação do Banco de Olhos do CEROF-UFG em Anápolis, a terceira cidade mais populosa do estado, integra uma estratégia de articulação, baseada no diálogo entre as equipes e no fortalecimento de uma cultura que respeita o tempo necessário para que se proceda à abordagem e acolhimento da família fazendo-se cumprir o desejo da doação.
A iniciativa das captações fortalece as campanhas de doação de órgãos e tecidos e espera-se, maior adesão no consentimento das famílias para a doação das córneas e assim, tenhamos um aumento significativo do número de transplantes. Atualmente, o estado de Goiás possui 1.847 pessoas aguardando transplante, com tempo médio de espera de 1 ano e 9 meses, sendo o CEROF-UFG uma unidade de referência no SUS para o transplante de córneas no estado. Somente em 2025, a equipe do CEROF-UFG realizou mais de 90 transplantes, trazendo impactos intangíveis e tangíveis para a vida do receptor.

Ter mais um Banco de Olhos atuante no estado de Goiás, sendo o Banco de Olhos do CEROF-UFG, o único vinculado a uma Universidade da rede Federal de ensino no estado, é um avanço para a saúde ocular no SUS, pois é pensado para além da assistência, é a oportunidade de desenvolver pesquisas, aprimorar o ensino em Oftalmologia e promover ações de extensão sobre o tema.
Segundo a gerente do Banco de Olhos do CEROF-UFG, Célia Malveste, todo o processo é conduzido com foco no acolhimento das famílias e na abordagem humanizada, respeitando o momento vivido após a confirmação do óbito. “Quando há um atendimento humanizado, a família se sente mais segura. A doação, muitas vezes, acontece porque já existe um entendimento sobre a doação de órgãos”, explica.
Para a diretora do CEROF-UFG, Katiane Martins, o fortalecimento dessa cultura é essencial para ampliar o impacto do trabalho desenvolvido. Ela agradece profundamente às famílias doadoras, que transformam a perda em um gesto de solidariedade, e destaca o papel do estado na construção dessa rede de cuidado. “Esse trabalho só é possível graças à confiança das famílias e ao apoio institucional das equipes multiprofissionais que sustenta cada etapa do processo. Ter a equipe do Banco de Olhos disponível, 24 horas, é também realizar o desejo da pessoa que foi a óbito e pediu, em vida, que as córneas fossem doadas”, afirma.