Abril Marrom: CEROF-UFG reforça importância da prevenção para evitar a cegueira
Campanha alerta que até 80% dos casos de deficiência visual poderiam ser evitados com diagnóstico precoce e acompanhamento oftalmológico
O mês de abril é marcado pelo Abril Marrom, campanha voltada à informação e ao alerta sobre a prevenção da cegueira. A mobilização ganha ainda mais destaque com o Dia Internacional da Cegueira, celebrado em 12 de abril, que reforça a importância do diagnóstico precoce e do acesso ao tratamento adequado para evitar a perda visual.
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), pelo menos 2,2 bilhões de pessoas vivem com algum tipo de deficiência visual no mundo, sendo que, em cerca de 1 bilhão dos casos, a condição poderia ter sido evitada ou ainda não foi tratada.

O Centro de Referência em Oftalmologia da Universidade Federal de Goiás (CEROF-UFG), referência em atendimento oftalmológico pelo Sistema Único de Saúde (SUS), atua no diagnóstico e tratamento de doenças que podem levar à cegueira, como glaucoma, catarata, retinopatia diabética e degeneração macular relacionada à idade.
Doenças que podem levar à cegueira
Entre as principais causas de deficiência visual no mundo estão:
- Catarata: opacificação do cristalino (lente natural do olho), que causa visão embaçada. Apesar de frequente, é reversível por meio de cirurgia.
- Glaucoma: doença silenciosa que provoca lesão no nervo óptico, geralmente associada ao aumento da pressão intraocular. Pode levar à perda irreversível da visão.
- Retinopatia diabética: complicação do diabetes que afeta os vasos sanguíneos da retina, podendo causar sangramentos e perda visual progressiva.
- Degeneração macular relacionada à idade (DMRI): compromete a região central da retina (mácula), afetando principalmente a visão central e a leitura.
Erros refrativos não corrigidos: problemas como miopia, hipermetropia e astigmatismo que, sem correção adequada, podem prejudicar a visão.

Segundo o Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO), mais de 1,5 milhão de pessoas são cegas no Brasil, sendo a maioria em contextos de vulnerabilidade social. A especialista destaca que muitas dessas doenças evoluem de forma silenciosa, o que dificulta a identificação precoce. “Até 80% dos casos de cegueira poderiam ser evitados se fossem tratados precocemente”, alerta a Dra. Ericka Campos, especialista em visão subnormal no CEROF-UFG.
Prevenção e cuidado ao longo da vida
O acompanhamento oftalmológico regular é a principal forma de preservar a visão. Exames periódicos permitem identificar alterações ainda no início e iniciar o tratamento adequado antes que haja comprometimento visual. “Hoje contamos com tecnologias avançadas que permitem diagnosticar precocemente diversas doenças. Em muitos casos, conseguimos devolver a visão, a qualidade de vida e a autonomia dos pacientes”, destaca a médica.
Grupos como idosos, pessoas com diabetes, hipertensão ou histórico familiar de doenças oculares devem ter atenção redobrada. Além disso, o cuidado com a visão deve começar desde a infância. “É fundamental levar também as crianças para avaliação oftalmológica, principalmente diante do aumento dos casos de miopia”, reforça.
No Sistema Único de Saúde (SUS), o acesso ao atendimento oftalmológico geralmente começa pelas Unidades Básicas de Saúde (UBS), com encaminhamento para serviços especializados, como o CEROF-UFG, quando necessário.