26 de Maio - Dia Nacional de Combate ao Glaucoma
CEROF-UFG alerta para doença silenciosa que pode causar cegueira irreversível
Celebrado em 26 de maio, o Dia Nacional de Combate ao Glaucoma integra as ações do Maio Verde, campanha dedicada à prevenção e ao enfrentamento da doença, considerada a principal causa de cegueira irreversível no Brasil e no mundo. A mobilização busca alertar a população sobre a importância dos exames oftalmológicos regulares e do diagnóstico precoce, já que o glaucoma costuma evoluir de forma silenciosa.

O Centro de Referência em Oftalmologia da Universidade Federal de Goiás (CEROF-UFG) realiza, em média, cerca de 1.300 atendimentos mensais exclusivamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) relacionados ao glaucoma, incluindo consultas ambulatoriais, exames especializados, acompanhamento clínico e procedimentos cirúrgicos.
Segundo a Dra. Lorenna Braz, fellow do Departamento de Glaucoma do CEROF-UFG, a doença exige atenção justamente por sua evolução silenciosa. “O glaucoma é uma doença que provoca dano progressivo e permanente ao nervo óptico, geralmente relacionado ao aumento da pressão intraocular, podendo causar alterações da visão periférica, da percepção de profundidade e da sensibilidade ao contraste, causando grande impacto negativo na qualidade de vida do indivíduo”, explica.
Doença silenciosa pode afetar pessoas de diferentes idades
O glaucoma é prejudicado pela lesão progressiva do nervo óptico, estrutura responsável por transmitir as informações visuais ao cérebro. Com a evolução da doença, ocorre perda gradual do campo visual e, em casos mais avançados, cegueira permanente. De acordo com a Sociedade Brasileira de Glaucoma, os sintomas geralmente aparecem apenas em atualizações avançadas, quando já existe comprometimento importante da visão.

Dados do Ministério da Saúde apontam que cerca de 1,5 milhão de brasileiros convivem com glaucoma , número que tende a aumentar com o envelhecimento da população. A incidência é maior após os 40 anos, podendo chegar a 6% ou 7% entre pessoas acima dos 70 anos. A Dra. Lorenna Braz alerta que, embora mais comum em idosos, a doença pode medir diferentes faixas etárias. “Alguns fatores de risco específicos atenção especial, como histórico familiar da doença, idade avançada, uso específico de corticoides e diabetes”, afirma.
Entre os principais fatores de risco estão:
- Idade acima de 40 anos
- Histórico familiar de glaucoma
- Pressão intraocular elevada
- Diabetes
- Uso prolongado de corticoides
- Miopia elevada
Diagnóstico precoce é a principal forma de prevenção
Especialistas reforçam que o acompanhamento oftalmológico periódico é essencial para detectar alterações precocemente e iniciar o tratamento antes que ocorram danos irreversíveis à visão. "A realização de exames é fundamental para a avaliação da pressão intraocular e do fundo de olho. O glaucoma não tem cura, mas tem controle, especialmente nos casos diagnosticados precocemente", destaca Lorenna Braz.

Segundo a medicina, atualmente existem diferentes formas de tratamento disponíveis, que ajudam a controlar a progressão da doença e preservar a qualidade de vida dos pacientes. “Hoje os pacientes possuem acesso a colírios, laser e cirurgias”, reforça.
Atendimento especializado no SUS
No SUS, o acesso ao diagnóstico e tratamento do glaucoma geralmente começa pela Atenção Primária à Saúde, nas Unidades Básicas de Saúde (UBS), ou pelas Secretarias Municipais de Saúde. Quando há suspeita de doença, os pacientes podem ser encaminhados para serviços especializados em oftalmologia.
Em Goiás, o CEROF-UFG integra essa rede de atenção, recebendo pacientes direcionados pela regulação estadual para realização de exames, acompanhamento e tratamento especializado.

O professor Dr. Leopoldo Magacho , chefe do Setor de Glaucoma da unidade, destaca que o CEROF-UFG possui estrutura capaz de atender casos de diferentes níveis de complexidade. "Nós aqui do CEROF-UFG estamos muito focados em ajudar a população na luta contra esse mal silencioso que rouba a visão. Temos orgulho de contar com um parque tecnológico capaz de diagnosticar e tratar praticamente todos os tipos de glaucoma", afirma.
Fonte: Anna Letícia Epaminondas